Citroën AirCross
 

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Citroen Aircross

O otimismo dos executivos da citroen no lançamento do novo Aircross é justificado por dois aspectos. O primeiro está no impacto liquido e certo que o design desse SUV compacto - concorente do Idea Adventure, do Crossfox e do Ecosport - vai causar. O segundo é que o eventual interessado, uma vez capturado pelo desenho, vai descobrir que o carro, para os seus padrões, é bastante acessível. A Versão de entrada, a GL, é oferecida a algo em torno de R$ 53 mil. Já a intermediária, onde a marca aposta que estará 35% do mix de vendas, sai por pouco mais de R$ 56 mil. Há ainda uma versão top, a exclusive, com vários equipamentos extras, a R$ 62 mil.

Externamente, o Aircross surpreende. Seu desenho é agressivo sem ser defaasado. Não há sobra de adereços plásticos para realçar o espírito aventureiro, mas novidades em detalhes que antecipam mudanças de lay out em outros produtos da montadora. O duplo Chevron, marca registrada, agora é mais largo e separado. De frente, o carro chama a atenção pelo perfil alto da grade, bem como dos faróis. É uma cara de jipe. QUando olhamos de lado, percebemos que o conjunto foi equilibrado mesmo com o carro - que é feito em cima da plataforma do C3 ligeiramente alongada - Ao contrário de modelos como o Idea Adventure, o Aircross não parece alto em demasia, resultado do efeito obtido com o estribo e com a estrutura do teto. Aliás, as colunas que emergem do capô e cruzam a capota são um ponto alto no desenho. Ao contrário do que sugerem, não interferem na visão do motorista, como pudemos avaliar quando Carz rodou com o carro.

Ivan Segal, presidente da Citroen do Brasil, contou a CarZ durante a sessão de testes que o projeto, realizado po designers da fábrica brasileira apenas para o mercado daqui, foi mostrado em clínicas internas na matriz francesa. "Agradou tanto que eles começaram a pensar em ter algo assim no portolio de lá". SUV light, a classe do Aircross, não é algo que os europeus tenham descoberto ainda. Atrás, o indefectível estepe externo é a marca registrada desses carros. Neste caso, a inovação do modelo é ter um sistema com acionamento na chave capaz de abrir a geringonça. O braço se afasta da tampa abrindo para a esquerda, mas com facilidade, dando caminho à mala de 403 litros.

Pegamos uma versão GLX, propositadamente, para o test-drive de 60 km entre o Pier Mauá, no Rio e o Museu de Arte Contemporâea, em Niterói, passando por outras localidades. Como é o carro-chefe, olhamos com lupa o bom acabamento dos bancos, confortáveis, em couro e tecido - a trama pode eventualmente prender em acessórios de roupas, especialmente femininos, como fivelas, tachas etc. mas em um dia quente se mostrou adequado. A regulagem de altura e do encosto é fácil embora não seja do tipo milimétrica, mas senti falta dessa mesma feature para o volante. Ainda assim, o desenho com uma parte em alumínio e recorte na posição dos polegares é ergonomicamente perfeito. O painel de instrumentos, assim como o carro, é todo novo. Com inspiração nos mostradores de aviões, possui marcadores analógicos e digitais em três conjuntos. No centro do tablier, os inclinômetros (lateral e longitudinal) e a bússola seguem o padrão. Uma ressalva: com sol a pino e a inclinação do para-brisas, não foi tão fácil ver a leitura.

Mecanicamente, o Aircross é uma boa jogada da fábrica. Aproveita-se da plataforma do C3, já em produção, alongada em 80 mm, e também do confiável motor 1,6 litros de 16 válvulas e 113 vc (quando abastecido a álcool). Forçamos as marchas mais baixas para ver a reação de um propulsor em tese abaixo da necessidade - são 1300 kg - mas a reação foi positiva. O torque obtido veio com 2 mil giros, sem grande esforço. O segredo está em duas manobras da engenharia: a primeira foi encurtar o diferencial e a segunda reduzir em 15% as relações de marchas. As trocas, suaves, otimizaram a energia produzida pelo motor. No trânsito travado ou na ponte Rio-Niterói, a avaliação foi boa. Acima de 120 km/h é que notamos mais ruído na cabine. O bom isolamento acústico, por sinal, é também outro truque: vem do pára-brisas especial, com três lãminas de vidro, desenvolvido para conter o ruido externo.

Apesar de aparentar ser alto, 1,69 metro em altura, o Aircross não oscila nas curvas. A boa suspensão (Mc Pherson independente na frente e com travessa deformável e barra estabilizadora atrás) garante um comportamento neutro, ainda que o trajeto não tivesse maior exigência nesse sentido. A escolha de pneus de uso misto, com aro 16, 205/60, deu imponência ao conjunto e ajudou na estabilidade, mas quem compra um carro assim tem de ter em mente que eles produzem ruído.

De forma geral, dá para concordar com a aposta da Citroen nesse carro. É um projeto novo, baseado em premissas mecânicas já testadas e comprovadas. Com isso, foi possível não salgar o preço, pelo menos nesse início. A marca ainda oferece três anos de garantia e, no caso do Aircross, as revisões de 10 mil km, 20 mil km e 30 mil km grátis.

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